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VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 INICIA EM SANTA CATARINA: A IMPORTÂNCIA DOS IDOSOS COMO GRUPO PRIORITÁRIO

Paulo Adão de Medeiros – Doutor em Saúde Coletiva

Foram muitos meses de angústia e espera pela chegada de uma vacina que pudesse frear a pandemia e trazer esperança de novos tempos. Nos últimos meses a comunidade científica realizou inúmeros esforços para acelerar a descoberta de um imunizante, sem abrir mão de segurança, o que vem exigindo grandes desafios.

Nesta segunda-feira, dia 18 de janeiro de 2021, foi iniciada oficialmente a vacinação contra a Covid-19 em Santa Catarina tornando-se um marco histórico em nosso Estado. A abertura da campanha ocorreu em um ato público no Instituto de Cardiologia, em São José, na Grande Florianópolis contando com a presença do Governador e de várias autoridades.

O primeiro idoso vacinado em SC foi João de Jesus Cardoso, de 81 anos, residente no Lar de Zulma (São José) desde março de 2017, representando todos os idosos que se encontram institucionalizados.

 

Fotos: Ricardo Wolffenbuttel / Secom

 

Em contato com a instituição foi disponibilizado um vídeo gravado com o idoso relatando que gostou de participar da vacinação, que não ficou nervoso e que daqui pra frente as coisas vão melhor. Ele também agradeceu a Deus pedindo a Ele para nos ajudar.

Além do senhor João foram vacinados o enfermeiro Júlio César Vasconcellos de Azevedo, de Florianópolis e a gestora ambiental Eunice Antunes (nome indígena Kerexu Yxapyry), liderança da terra indígena Morro dos Cavalos, em Palhoça.

 

ALGUNS PASSOS ATÉ A CHEGADA DA VACINA

08/12/2020 – A revista científica The Lancet publicou os dados preliminares da última fase de testes da vacina da Universidade Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca.

16/12/2020 – Lançamento do Plano Estadual de Vacinação contra a Covid-19 em Santa Catarina, estabelecendo que o trabalho de imunização da população catarinense ocorrerá em consonância com o Governo Federal e os municípios.

06/01/2021 – Os diretores e pesquisadores do Instituto Butantan participaram de uma reunião técnica e apresentaram os primeiros dados sobre a eficácia da vacina Coronavac.

08/01/2021 – O Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac entraram com pedido de uso emergencial da vacina Coronavac na Anvisa.

08/01/2021 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrou com pedido de uso emergencial da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca/Oxford na Anvisa.

17/01/2021 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial das primeiras doses das vacinas contra a covid-19: AstraZeneca/Oxford e Coronavac.

18/01/2021 – As vacinas chegaram ao Estado e foram alocadas no centro de armazenamento e distribuição da Secretaria de Estado da Saúde em São José. Santa Catarina recebeu pouco mais de 144 mil doses que serão direcionadas aos grupos prioritários.

18/01/2021 – Abertura da campanha de vacinação com cerimônia na Grande Florianópolis.

19/01/2021 – Logística de distribuição da vacina para as regionais de saúde espalhadas por todo o Estado com início da vacinação pelos municípios.

 

OS IDOSOS COMO GRUPO PRIORITÁRIO

O Plano Estadual de Vacinação (ACESSE AQUI) tem o objetivo de operacionalizar e definir as diretrizes de vacinação contra Covid-19 no território catarinense por meio da Secretaria de Estado da Saúde. Este plano está em conformidade com as diretrizes nacionais e define que a vacinação ocorrerá em quatro etapas priorizando grupos e considerando informações epidemiológicas, comorbidades e dados populacionais.

A população idosa é considerada como grupo prioritário e por isso na fase 1 constam as pessoas com 60 anos ou mais que vivem em Instituições de Longa Permanência e idosos da comunidade a partir dos 75 anos de idade, além dos trabalhadores da saúde e população indígena. Já na fase 2 devem ser vacinadas as pessoas de 60 a 74 anos cuja a estimativa é de 844.644 pessoas.

Devido a disponibilidade restrita da vacina neste momento, o Ministério da Saúde enviou 144.040 doses ao estado e, assim, a previsão é imunizar em torno de 68 mil catarinenses, considerando que são necessárias duas doses. Portanto, definiu-se que inicialmente serão vacinadas as pessoas com mais de 60 institucionalizadas (6.026); população Indígena (7.710) e trabalhadores da saúde (54.385). A intenção é proteger os grupos mais vulneráveis ou mais expostos à infecção e fechar as possíveis cadeias de transmissão nas ILPIs imunizando, inclusive, os trabalhadores destes locais.

Altas letalidades por Coronavírus (SARS-CoV-2) têm sido associadas a pacientes idosos ou à presença de comorbidades mais comuns nestes pacientes ocasionadas por maiores déficits no sistema imunológico. As Instituições de Longa Permanência para Idosos concentram pessoas com maior perfil de fragilidade e as características de uma residência coletiva podem atuar como um agravante na propagação das infecções (BARRA et al., 2020; Lloyd-Sherlock et al., 2020; LAI et al., 2020; MACHADO et al., 2020).

De acordo com o Manifesto da Frente Nacional de Apoio as ILPIs/FN-ILPI (ACESSE AQUI), publicado em dezembro de 2020, a taxa de letalidade é muito alta entre os idosos institucionalizados, sendo que a cada 5 residentes de ILPI acometidos pela COVID-19, um falece. A FN-ILPI é um espaço democrático de estudos, pesquisas, planejamento, articulações e fomento que desenvolveu muitas ações de apoio aos gestores das ILPIs, por meio de capacitações técnicas, fóruns de discussões e reivindicação de políticas. Com o trabalho desenvolvido foi possível minimizar o impacto da pandemia nestas instituições, pois o número de óbitos entre residentes nas ILPIs no Brasil não alcançou a magnitude observada em outros países, como no Canadá, por exemplo, em que representaram 85% de todos óbitos ocorridos pela COVID-19.

Para ilustrar como foi realizado o manejo das ILPIs e o cuidado com os idosos durante a pandemia consultamos a gestora de uma instituição que nos enviou o depoimento:

“Eu destacaria algumas coisas, a primeira foi que os idosos cuidaram muito da gente também, eles estão sendo muito resilientes e sábios como a vida lhes ensinou. Muitas vezes, em situação de desespero, eles nos acalmavam, o que foi uma grande lição para perceber esse olhar de sabedoria das pessoas idosas. Também destaco que foi um desafio imenso em uma situação totalmente inusitada e inesperada, porque ninguém nunca passou por isso. Então, nós tivemos que nos reinventar com a ajuda mútua dos idosos, dos familiares, dos colaboradores, da equipe, dos parceiros e ninguém mediu esforços para que a gente conseguisse controlar o ambiente e diminuir o risco. A união foi muito importante e, logo no início da pandemia, quando ocorreu o caos a gente cogitou até mesmo o confinamento dos funcionários e todos se colocaram à disposição. Nós só podemos agradecer porque é nos momentos de crise que a gente pode contar com todos […] ainda, destaco a grande participação da família, os familiares que estavam acostumados a nunca ter horário de visita […] então as famílias tiveram uma compreensão muito especial do momento e se adaptaram aos meios virtuais, ao distanciamento, mas nunca deixaram de dar assistência, apoio e o aporte que os idosos precisam”

 (Maitê Oliveira Souza – Enfermeira, gestora da Bella Vita Residencial Geriátrico e conselheira municipal do idoso de Florianópolis)

 

E qual o seu sentimento com a chegada da vacina?

“A palavra é esperança que essa fase logo vai passar, muito agradecida, gratidão pelos idosos institucionalizados serem prioridade na vacinação e acho que isso demonstra um olhar especial para essas pessoas que estão nessas instituições de residência coletiva. É uma demonstração de que estão sendo vistos pelo poder público de uma forma especial. Então nós só temos a agradecer e o sentimento é de esperança e de muito entusiasmo, ansiedade para que chegue logo essa vacina. Estamos na expectativa que a gente receba ainda essa semana e todos os idosos já estão super ansiosos, querem tirar foto e fazer vídeo. Estamos bem felizes, mas ainda com todo o cuidado e já orientando na nossa educação continuada com todos os colaboradores que mesmo tomando a vacina continuaremos com os cuidados que a gente vem tomando. Graças a Deus não tivemos casos e estamos torcendo para que tudo isso acabe e que essa vacina possa chegar a todas as faixas etárias para que a gente possa ter uma rotina mais normal”

(Maitê Oliveira Souza – Enfermeira, gestora da Bella Vita Residencial Geriátrico e conselheira municipal do idoso de Florianópolis)

 

Segundo o último boletim epidemiológico da Diretoria de Vigilância Epidemiológica / DIVE-SC (ACESSE AQUI), atualizado em 13/01/2021, os grupos mais acometidos pela infecção da COVID-19 são a faixa etária de 30 a 39 anos seguido pelas pessoas com idades entre de 20 a 29 anos. Com isso, as duas faixas etárias são responsáveis por 46% dos casos e constituem-se os grupos que tem o maior potencial de transmissibilidade. Já ao analisar os grupos que compõem as faixas etárias mais avançadas, observa-se que o percentual de infectados é muito mais baixo, porém o percentual de óbitos e a taxa de letalidade são bastante elevados. Na faixa etária entre 80 e 89 anos os infectados representam 1,3% do total de casos, no entanto, a proporção de óbitos é de 21,1%, e uma taxa de letalidade de 18,3%. De forma similar ocorre nas faixas de idade de 70 a 79 anos e em indivíduos com mais de 90 anos, os indivíduos entre 70 e 79 apresentam a maior proporção de óbitos entre todas as faixas etárias com 27,3% (conforme gráfico). A taxa de letalidade varia conforme a idade dos infectados, e quando observados apenas os indivíduos a cima de 90 anos a letalidade no Estado é de 24,6%, ou seja, a cada 100 pessoas infectadas com idade maior de 90 anos 25 pessoas foram a óbito.

 

Fonte: Boletim Epidemiológico Nº 35 Covid-19 (DIVE-SC)

 

IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO

Natalia Pasternak, PhD com pós-doutorado em Microbiologia e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência em entrevista ao Jornal do Almoço, do dia 19 de janeiro, tirou dúvidas da população em relação a vacina. Segundo ela, as duas vacinas que estão disponíveis foram aprovadas pela Anvisa, que é muito séria e rigorosa, o que significa que são seguras e eficazes o suficiente para o que precisamos no momento, ou seja, são capazes de reduzir casos de doenças graves, hospitalização e morte.

Ainda, relatou que a preocupação e insegurança, principalmente das pessoas mais idosas, quanto a ato de se vacinar são legítimas, mas esclarece que a vacina não provoca a doença, pois não contém organismos vivos capazes de provocar a Covid. Toda a vacina é uma formulação inativada para enganar o nosso sistema imune o fazendo reagir com a produção de anticorpos para que no momento que a pessoa tiver contato com o vírus o organismo possa se defender de forma eficaz.

A cientista confirma que só teremos o benefício da proteção coletiva quando a maioria da população estiver vacinada. Nesse sentido, os órgãos públicos precisam acolher o medo das pessoas e desenvolver boas campanhas de comunicação e esclarecimento. Confira o vídeo na íntegra

A Frente Nacional de Fortalecimento de Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa (FFC) lançou orientações (ACESSE AQUI) para que esses importantes órgãos de controle social possam auxiliar o processo de vacinação em seus municípios: mantendo contato com a prefeitura municipal para verificar o calendário e critério de priorização da população; acompanhando a execução da vacinação no município; realizando campanha de conscientização e divulgação sobre a vacinação; fazendo contato com as Instituições de Idosos e Grupos de Idosos do município, para verificar o atendimento na vacinação e orientar no que for necessário; informando as autoridades competentes caso haja o cerceamento ou algum óbice ao atendimento do idoso para receber a vacina, além de combater as Fake News.

Fotos: Ricardo Wolffenbuttel / Secom

 

AS PRÓXIMAS ETAPAS…

  • Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Catarina tem uma população estimada de 7.252.502 milhões de habitantes;
  • Recebeu 144 mil doses da CoronaVac nessa primeira remessa;
  • Irá imunizar 68 mil pessoas inicialmente;
  • A população estimada no primeiro grupo de vacinados é de 426.678 (fase 1);
  • Portanto, a primeira remessa da vacina CoronaVac cobre 15,9% do grupo prioritário na fase 1;

 

Sendo assim, estamos apenas iniciando um processo de vacinação que deve se estender durante um longo período exigindo calma e conscientização de toda a sociedade. De acordo com as informações publicizadas por diversos órgãos de imprensa, o governo estadual orienta que os catarinenses acompanhem as atualizações e aguardem seu grupo ser chamado para a vacinação pelas autoridades de saúde.

A ação acontecerá em consonância com os municípios catarinenses, que são os executores da campanha junto à população. Nesta primeira etapa, a vacina contra o Coronavírus não será feita em Centros de Saúde, mas diretamente nos locais de trabalho dos profissionais de saúde e Instituições de Longa Permanência, conforme agendamento da Secretaria Municipal de Saúde.

O Ministério da Saúde alerta sobre tentativas de golpe em que criminosos simulam o agendamento da vacina para clonar dados. A vacinação contra a covid vai ser igual às outras em que as pessoas vão aos postos de saúde ou pontos utilizados em campanhas de imunização, e lá será identificada e cadastrada na hora. Por isso, orienta as pessoas que se receberem ligações ou mensagens pelo celular, com promessa de agendamento de vacinação, e solicitando dados pessoais ou outras informações, não forneçam qualquer dado e denunciem a autoridades competentes.

Além disso, é muito importante que continuemos exercendo nossa cidadania e tomando todos os cuidados sanitários como: uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social até que a maior parte da população tenha recebido as duas doses da vacina. Um recado urgente vai para os jovens que fazem aglomerações, participam de festas clandestinas e agem normalmente como forma de negacionismo da doença. Eles devem se lembrar que vivem em comunidade podendo ser vetores de transmissão de uma doença que pode ter um desfecho fatal aos seus entes amados, como seus pais e avós.

Para esclarecer diversas dúvidas acesse: Folha informativa COVID-19 – Escritório da OPAS e da OMS no Brasil.

Ficamos na torcida para a chegada de novas doses da vacina e que, o mais breve possível, toda a população idosa possa estar imunizada.

 


Fontes de consulta:

Barra RP, EN Moraes EN, Jardim AA, Oliveira KK, Bonatti PCR, Issa AC. A importância da gestão correta da condição crônica na Atenção Primária à Saúde para o enfrentamento da COVID-19 em Uberlândia, Minas Gerais. APS em Revista 2020; 2(1):38-43.

Lloyd-Sherlock P, Ebrahim S, Geffen L, McKee M. Bearing the brunt of covid-19: older people in low and middle income countries. BMJ 2020; 368:m1052 [acessado 2020 Abr 30]. Disponível em: https://www.bmj.com/content/368/bmj.m1052

Lai CC, Wang JH, Ko WC, Yen MY, Lu MC, Lee CM, Hsueh PR; Society of Taiwan Long-term Care Infection Prevention and Control. COVID-19 in long-term care facilities: An upcoming threat that cannot be ignored. J Microbiol Immunol Infect 2020; 53(3):444-446.

Machado CJ et al. Estimativas de impacto da COVID-19 na mortalidade de idosos institucionalizados no Brasil. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2020, v. 25, n.9, pp.3437-3444.

https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/reportagem/uma-vacina-para-a-humanidade

https://www.sc.gov.br/noticias/temas/saude/santa-catarina-recebera-126-mil-doses-da-vacina-contra-covid-19-nesta-segunda-feira

https://www.sc.gov.br/noticias/temas/coronavirus/santa-catarina-inicia-a-vacinacao-contra-a-covid-19

https://www.sc.gov.br/noticias/temas/coronavirus/saiba-quais-serao-primeiros-grupos-a-receber-a-vacina-contra-covid-19-em-santa-catarina

https://www.saude.sc.gov.br/index.php/noticias-geral/11973-governo-do-estado-ja-iniciou-distribuicao-das-vacinas-aos-municipios-catarinenses

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-01/anvisa-decide-autorizacao-emergencial-para-uso-de-vacinas

https://agenciabrasil.ebc.com.br/

https://www.sc.gov.br/noticias/temas/coronavirus/governador-carlos-moises-lanca-plano-estadual-de-vacinacao-contra-covid-19

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2021/01/18/covid-19-primeira-remessa-da-vacina-cobrira-16percent-do-grupo-prioritario-em-sc.ghtml

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/jornal-do-almoco/videos/

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/01/19/desde-o-comeco-da-pandemia-a-covid-matou-um-em-cada-mil-brasileiros.ghtml

https://covid.saude.gov.br/

http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/boletim2020/corona34/Boletim%20Corona%20034.pdf

https://www.nsctotal.com.br/noticias/quem-sao-e-como-estao-passando-os-tres-primeiros-vacinados-contra-covid-19-em-sc

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2021/01/19/vacinacao-contra-covid-em-sc-veja-perguntas-e-respostas.ghtml

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/2021-01/golpistas-simulam-agendamento-de-vacina-contra-covid-19-e-clonam-dados

https://globoplay.globo.com/v/9190894/

http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/saude/index.php?pagina=notpagina&noti=22829

 


 

 


 

 

 

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ASSOCIADA DA ANG SC RECEBE PRÊMIO NACIONAL COM O PROJETO DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO

Torna-se motivo de muito orgulho para a ANG SC a notícia de que o “Projeto De Geração para Geração”, o qual tem entre as idealizadoras a nossa associada Malvina Juliane Ribeiro, recebeu destaque e premiação em âmbito nacional. Pois é uma das bandeiras de luta da Associação Nacional de Gerontologia a educação para o envelhecimento em todo o país.

O 1º Prêmio de Aprendizagem Solidária – Experiências que transformam, é uma iniciativa da Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária (RBAS), com coordenação técnica do Centro de Estudos em  Educação, Cultura e  Ação Comunitária (CENPEC), do Instituto Singularidades, do Movimento Futuro, da Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI) no Brasil e da Mori Educação e apoio do Centro Latino-Americano de Aprendizagem e Serviço Solidário (CLAYSS). Tem como objetivo Identificar, reconhecer e valorizar práticas de aprendizagem que promovam ações de solidariedade, a partir do diagnóstico e intervenção em problemas reais de comunidades e territórios.

O projeto desenvolvido na Escola Básica Municipal Tancredo de Almeida Neves em Indaial-SC tem o apoio e foi inscrito em parceria com a diretora Janaina Traerbert ficando com a terceira colocação na categoria Instituições de Educação Básica I. Esse reconhecimento demonstra como é importante que a gestão pública e os profissionais da educação estejam sensibilizados com essa pauta para a realização de iniciativas similares.

“De Geração para Geração” é um projeto social que promove troca de experiências entre crianças e idosos em escolas. Assim, por meio da convivência intergeracional ocorrem novos aprendizados e benefícios para ambas as gerações. As crianças aprendem novos valores, conhecimentos e experiências e os mais velhos sentem-se mais valorizados e aumentam a autoestima.

Para a idealizadora e coordenadora: “Ser reconhecido e ganhar um prêmio deste, não só para o projeto, mas para a escola, para a comunidade e toda a cidade de Indaial é de suma importância. É uma honra e recebemos com muita felicidade, pois estávamos concorrendo com projetos maravilhosos do Brasil todo”. Para Malvina esse reconhecimento facilita muito no processo de divulgação e inserção em outros ambientes e em outros municípios: “É importantíssimo saber que esse projeto pode ser replicado em outras escolas, pois esse é o nosso maior desejo que ele seja replicado em outras escolas”, completa.

Torna-se interessante perceber que a iniciativa mesmo neste ano de pandemia adaptou-se e manteve suas atividades de forma online e para 2021, a direção da escola pretende dar continuidade no ambiente escolar. Com a premiação, além do reconhecimento, o projeto recebeu apoio financeiro e participará de um curso formativo para potencializar e ampliar suas ações com a comunidade.

 

Fonte: Arquivo do projeto Geração para Geração

 

 


 

 


 

 

 

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CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS(AS) A PREFEITOS(AS) E VEREADORES(AS)

MAIS DE UM MILHÃO DE IDOSOS VIVEM EM SANTA CATARINA![1]

 

Muito embora o Coronavírus tenha “roubado a cena” neste ano de 2020, não podemos subestimar o momento político importante que se aproxima: as eleições municipais.

E, se nas últimas décadas, estudiosos da área do envelhecimento e profissionais que atuam nas políticas públicas, de todo o país já vinham chamando a atenção para o acelerado crescimento da população idosa e da consequente falta de políticas públicas adequadas a esta nova realidade populacional, a atual Pandemia “escancarou” essa questão: as pessoas estão vivendo muito mais, contudo poucas têm à disposição serviços públicos que possam lhes garantir qualidade de vida digna. Com o envelhecimento, as pessoas, em algum momento, acabam por apresentar alguma fragilidade biopsicossocial, o que exige da sociedade em geral, mas especialmente dos poderes constituídos, instrumentos de cuidado integral.

É no Município que o idoso vive. Assim, o poder público municipal deve ser o primeiro e o mais próximo garantidor dos direitos da pessoa idosa. É nos gestores municipais que deságuam suas necessidades, demandando soluções por meio de políticas públicas integradas e adequadas àquele território, mesmo que as referidas competências sejam atribuídas de igual forma às demais instâncias: União e Estado.

Diante disso, a Associação Nacional de Gerontologia do Estado de Santa Catarina – ANG SC[2], que tem como um de seus objetivos assessorar e articular com diferentes órgãos do governo estadual e municipais programas dirigidos à pessoa idosa e que envolvam políticas de direitos (em especial, saúde, assistência social, segurança, emprego, salário, moradia, educação, cultura, esporte, lazer, etnia, comunicação, participação política), dirige-se a V.Sa. para propor que seu programa de governo integre questões importantes para ELEITORES dessa faixa etária, tais como:

  • Criação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa – CMDPI (onde ainda não existir) e garantia de seu funcionamento como órgão deliberativo, paritário e independente, nos termos da Lei, respeitando suas competências e envolvendo-o ativamente no planejamento das políticas públicas de atendimento aos idosos.

 

  • Criação do Fundo Municipal do Idoso – FMI, gerido pelo respectivo CMDPI, nos termos da Lei, para captação de recursos e financiamento de projetos especiais – além daqueles que competem ao Município – em benefício da população idosa.

 

  • Garantia de inclusão, de programas de atendimento à população idosa no planejamento, e respectivo orçamento, de TODAS as pastas municipais.

 

  • Prestação de serviços de abrigamento de idosos vulneráveis, como a garantia de Instituições de Longa Permanência – ILPIs (onde a demanda justificar), Casas Lares e/ou Serviço de Famílias Acolhedoras. Destacamos que as ILPIs, podem ser regionais, as quais através de Termo de Colaboração atendem os Municípios, garantindo a convivência familiar e comunitária.

 

  • Implantação de Centros-dia, para aquele idoso que possui vínculo com a família, no entanto precisa de cuidados nos momentos em que a família está no trabalho; centros de convivência, para idosos que possuem autonomia nas atividades diárias, para fortalecer vínculos familiares e comunitários.

 

  • Criação de programas continuados de condicionamento físico, esporte, lazer e cultura.

 

  • Proposição de uma “Política de Educação e Envelhecimento” que compreenda a inclusão em disciplinas dos currículos do Ensino Fundamental da temática “Educação para o Envelhecimento” e a criação de cursos em geral para as pessoas já idosas, adequados às necessidades locais (letramento básico, ensino fundamental complementar e outros), com destaque especial às tecnologias de informática (celular e internet), hoje indispensáveis ao pleno exercício da cidadania das pessoas idosas.

 

  • Organização dos serviços do SUS de forma a garantir o acesso integral e prioritário aos idosos, bem como o atendimento domiciliar, sempre que necessário.

 

  • Elaboração de projetos especiais para captação de recursos governamentais e/ou privados, bem como o estabelecimento de parcerias público/privadas para garantir o fornecimento de medicamentos, fraldas geriátricas, órteses e próteses, naqueles momentos em que os recursos do SUS sejam insuficientes.

 

  • Projetos diversos (de arquitetura, ruas, praças, calçadas, banheiros públicos limpos e gratuitos, transporte público e mobilidade em geral) para tornar a cidade mais acessível e amigável aos idosos, o que contribui para sua independência, autoestima e dignidade.

 

  • Compromisso com as deliberações da última Conferência Municipal e/ou Regional dos Direitos da Pessoa Idosa, incluindo-as no plano de governo, e garantia do financiamento das Conferências seguintes, nas datas oportunas.

 

Nossa intenção, neste momento, foi apenas apontar, em linhas gerais, possíveis necessidades comuns aos idosos dos municípios catarinenses, as quais sugerimos incluir em suas propostas de campanha. Contudo, após sua eleição, colocamo-nos à disposição para auxiliar na construção de uma Política Municipal Integrada de Garantia dos Direitos das Pessoas Idosas, para seu Município.

 

Atenciosamente,

Associação Nacional de Gerontologia de Santa Catarina – ANG SC

 


[1]http://apps.tresc.jus.br/site/fileadmin/arquivos/eleicoes/estatistica_eleitoral/estat_offline/PerfilEleitor/ResumoFE/PerfilResumoFE010820.htm

[2]  CNPJ/MF sob o número 07.793.560/0001-90 – entidade civil, de fins não econômicos, com personalidade jurídica de direito privado e objetivos de natureza técnico-científica, com ação em todo o Estado de Santa Catarina,  e que  tem por finalidade contribuir para a melhoria das condições de vida da população idosa catarinense.

 

 


 

 


 

 

 

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ANG SC ENVIA OFÍCIO AO SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE SC

A Associação Nacional de Gerontologia do Estado de Santa Catarina (ANG SC) é uma seção da Associação Nacional de Gerontologia, de âmbito nacional, uma das entidades civis precursoras dos movimentos sociais em prol das pessoas idosas os quais fundamentaram as discussões finalmente materializadas na Lei n.8.842/1994 – Política Nacional do Idoso.
Dentre seus objetivos, destaca-se o de assessorar e articular com diferentes órgãos do governo estadual e municipais programas dirigidos à pessoa idosa e que envolvam políticas de direitos, em especial, saúde, segurança, emprego, salário, moradia, educação, cultura, esporte, lazer, etnia, comunicação, participação política e outros.
Nesse sentido, a ANG SC enviou ofício ao novo Secretário Estadual de Saúde, André Motta Ribeiro desejando-lhe sucesso nesta difícil tarefa assumida, em momento tão delicado de enfrentamento de tão severa pandemia que assola o planeta.
No ofício, a ANG SC externa suas preocupações à população idosa em geral, grupo de risco na atual Pandemia e, solicita atenção especial às pessoas idosas institucionalizadas nas chamadas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Esses locais, por se tratarem de entidades de cuidados integrais – biopsicossociais –, congregam a população idosa mais fragilizada: grande número de idosos na mesma residência, que apresentam diversas comorbidades e demandam cuidados de diversos profissionais para muitas atividades da vida cotidiana.
Parabenizamos a Secretaria Estadual de Saúde, por ter-se antecipado, com a Portaria 252 – GABS/SES de 13/04/2020 – trata de medidas de prevenção e mitigação do risco de disseminação da COVID-19 que devem ser adotadas em Instituições de Longa Permanência para Idosos. Na esfera nacional, somente em 24 de abril foi lançado o Plano Nacional de Contingência para o Cuidado à Pessoa Idosa Institucionalizada na Pandemia da COVID-19.
Contudo, sentimos, tanto na legislação nacional como, especificamente, na Portaria 252 da SES-SC, falta de providências de testagem – de forma preventiva, antecipando-se ao contágio – a todos os residentes e trabalhadores das ILPIs, independentemente de sintomas e tomamos a liberdade de propor a testagem nas ILPIs para além dos casos sintomáticos sugerindo algumas sugestões de alteração/acréscimos da referida Portaria.
Nesse sentido, tentamos fazer nossa parte, como comunidade/sociedade, no cumprimento da prioridade da pessoa idosa e, não obstante reconheçamos as limitações de testes, acreditamos que nosso estado, já pioneiro e líder em tantas outras situações, deveria envidar todos os esforços para uma vez mais liderar tal estratégia, que poderia salvar muitas vidas e evitar possível colapso do sistema de saúde catarinense.

 



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